À quinta jornada o FC Porto perdeu os primeiros pontos neste campeonato 2011/2012 ao empatar com o Feirense, em Aveiro. Nada deste facto, relatado tal e qual e de forma tão simplista, teria algo de extraordinário. No fundo tratava-se de futebol e da própria realidade de um jogo.
Mas a verdade é que este resultado (empate a zero) tem tudo para traduzir uma realidade até à data disfarçada. Ou se quisermos várias realidades inquietantes, já expressas em diversos momentos, neste espaço (mesmo que em contradição/oposição com a Mi Gonçalves).
Comecemos pelo topo da pirâmide. São apontáveis vários factos, o primeiro um fantasma que ainda paira dobre o Dragão: a saída inesperada de André Villas Boas. E saídas inesperadas é algo que há vários anos já estava arredado do dia-a-dia desportivo dos portistas. Mas como se tal não bastasse, Pinto da Costa apresenta uma alternativa ainda mais inesperada e extraordinária: o inexperiente Victor Pereira. E, pessoalmente, a realidade é só uma: o treinador do Porto não tem qualidade (nem técnica, nem táctica, nem organizacional) para assumir este cargo carregado de responsabilidade, competitividade e obrigatoriedade de vencer.
Ainda preocupante é a veleidade com que a administração do FC Porto tratou o plantel junto da sua equipa técnica: descurou as saídas, comprou com qualidade duvidosa, não encontrou as devidas e necessárias alternativas às saídas, principalmente as de maior "vulto" e peso. Resultado: FC Porto tornou-se uma equipa dependente de dois jogadores... Hulk e Moutinho. Muito pouco para quem tem a obrigação de ganhar. A não ser que para a administração/direcção do Porto o facto de, nas últimas décadas, ser tão normal o Porto ganhar que é indiferente que se "queime" uma época, num total desrespeito pela história, pela identidade, pelo sócios e simpatizantes do clube.
Mas a verdade é que o resultado de hoje (ao qual temos de juntar algum mérito do Feirense pela forma como encarou o jogo) vem revelar falta de liderança e gestão técnica, erros na abordagem e leitura do jogo, já repetidos anteriormente (escolha do onze, princípio do jogo, substituições efectuadas), uma equipa desestruturada, sem capacidade competitiva (falta de pressão, sem ligação entre sectores, fragilidades gritantes no sector defensivo e no "coração da área"), sub-rendimento colectivo e individual, excessiva dependência de Hulk e João Moutinho.
Uma equipa sem princípio e modelo de jogo consistentes, sem disciplina táctica (hoje, no encontro frente ao Feirense, foi de uma anarquia total desesperante), sem humildade (muito convencida que tudo são facilidades e que os três pontos acabam sempre por acontecer), ...
E, para finalizar, mas sem nada a ver, directamente, com este primeiro deslize, esta época vai ser aflitiva para o FC Porto com o "andar da carruagem". Sem nenhuma confiança na revalidação do título. E infelizmente, e com enorme vergonha, por CULPA PRÓPRIA.
(se me enganar, cá estarei para dar a mão à palmatória).